<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-16808029</id><updated>2011-06-08T07:40:02.386+01:00</updated><title type='text'>Palavras ao Alto</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Sofia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_n5YtZEwREmw/Ssfs4ZjKl2I/AAAAAAAAAVI/GJUPfxo59yY/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC08630.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>27</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16808029.post-175843630152677893</id><published>2006-12-25T23:00:00.000Z</published><updated>2006-12-25T23:02:37.026Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_n5YtZEwREmw/RZBYYSVPlYI/AAAAAAAAABA/4u_NymP4k28/s1600-h/DSC00643.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_n5YtZEwREmw/RZBYYSVPlYI/AAAAAAAAABA/4u_NymP4k28/s200/DSC00643.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5012603559524406658" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;Olhos em forma de seta..que trespassa, imagens e palavras escritas ao alto e talvez algumas deitadas...foram algumas, não tantas como as que eu queria..mas foram as minhas palavras, doces e amargas, minhas, do meu dentro mais dentro. Do dentro que só eu sei conhecer, e só eu sei ver o seu significado tal qual como ele é...&lt;br /&gt;Talvez ninguém vá ler estas palavras, mas necessitava de as escrever para dizer a este meu cantinho, que vou partir, e vou acabar a minha escrita por aqui..aqui irei acabar, mas continua noutro cantinho: www.noirpourpre.blogspot.com&lt;br /&gt;Sei que deveria ter feito isto antes, mas a minha inércia foi maior, e a minha vontade de publicar um texto deste calibre foi pouca...Assim termino. Não apago o meu cantinho..nunca irei..fica aqui, sempre..para que um dia volte e me leia novamente, para que um dia volte e fique feliz por não o ter apagado, ou então para voltar a escrevê-lo e dar-lhe vida...&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16808029-175843630152677893?l=palavrasaoalto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/feeds/175843630152677893/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16808029&amp;postID=175843630152677893' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/175843630152677893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/175843630152677893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/2006/12/olhos-em-forma-de-seta_9828.html' title=''/><author><name>Sofia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_n5YtZEwREmw/Ssfs4ZjKl2I/AAAAAAAAAVI/GJUPfxo59yY/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC08630.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_n5YtZEwREmw/RZBYYSVPlYI/AAAAAAAAABA/4u_NymP4k28/s72-c/DSC00643.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16808029.post-114259457285643974</id><published>2006-03-17T11:19:00.000Z</published><updated>2006-03-17T18:57:41.506Z</updated><title type='text'>Ela</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Observo-a a dançar. Pequena e frágil, por entre o vestido branco e suave, que lhe cai pelo corpo. Os braços são levados por uma pequena brisa que corre, parece que escorrem no ar. Ao fundo a melodia de um piano, que toca desorientado, procurando as notas. As teclas batem sem nexo, mas ela faz da música algo compreensível. Faz da dor do piano sua dor, e faz da minha dor algo tão estulto. E ela sabe que me faz sentir assim, por a observar. Tão longe, mas quase que consigo sentir o seu respirar ofegante do esforço dos movimentos certos e delicados. Quase que consigo sentir o seu coração pulsar o sangue que chega às suas longas pernas, aos seus braços pequenos que me tocam sem saber. Bela ela. Bela dança. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Nas mãos seguro o punhal, decidi matar o meu amor hoje. É que embora sinta o amor, não tenho, não quero e não posso dar amor a ninguém. Sou um animal estranho, que se esconde no ódio para encontrar a salvação, e por isso vou matar o amor de uma vez por todas. Sim. Não tenho, não quero e não posso dar amor a ninguém, porque o amor existe em mim em poucas quantidades, e se te oferecer a ti, posso começar a odiar-me a mim. Perdoa-me meu amor, mas tenho de te matar. Sou eu, ou tu. E eu escolhi-me a mim, porque eu sou eu., porque eu me pertenço e tu danças e escapas-me por entre esse vestido fugidio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Levanto-me. Seguro o punhal. Vejo os teus olhos seguir o meu movimento. Sorris para mim, chamas-me com a tua mão, pedes-me para dançar contigo. Eu estendo-te a minha mão trémula, e sinto o meu amor soltar-se todo para ti. Tu escorregas no meu amor liberto, a minha mão estende-se para te agarrar. Mas, o punhal! A mão que te ia segurar o ventre, segurava o punhal…o punhal…o punhal atravessou a tua pele, os teus músculos e o sangue saiu, vermelho como o meu amor…O punhal e o meu amor, o punhal e teu sangue, meu amor! Caíste de vez…com um baque mudo e seco. O teu vestido branco feito de nuvens, vermelho…a tua pureza desfeita no sangue, o teu ventre cortado, o vestido da cor dos teus lábios, e os teus lábios, antes vermelhos, da cor do vestido…Desgraçado punhal! Desgraçado amor! Desgraçado eu! Queria matar o meu amor, e agora que o queria dar, o meu amor matou-se...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Seguro-te nas minhas mãos, e coloco um beijo morto nos teus lábios, uma última réstia do meu amor… Ofereci-te o meu amor e morreste-me, agora só tenho ódio em mim…O piano ainda continua a tocar sozinho, o escuro instalou-se aqui neste lugar, e eu sou a escuridão completa. Procuro pelo som o piano, e encontro-o não muito longe de ti. Tento ser compositor e compor uma música para ti. Encontro as notas, e sei fazer melodia, mas tu já não danças amor…morreste-me, e eu morro…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16808029-114259457285643974?l=palavrasaoalto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/feeds/114259457285643974/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16808029&amp;postID=114259457285643974' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/114259457285643974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/114259457285643974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/2006/03/ela.html' title='Ela'/><author><name>Sofia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_n5YtZEwREmw/Ssfs4ZjKl2I/AAAAAAAAAVI/GJUPfxo59yY/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC08630.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16808029.post-114047443954149389</id><published>2006-02-20T22:26:00.000Z</published><updated>2006-02-20T22:27:19.620Z</updated><title type='text'>O rio dos sonhos</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;O rio corria bem devagar, por entre curvas e sonhos ele corria. Azul, amarelo, branco, roxo, verde…os sonhos misturavam-se formando o arco-íris na superfície do rio. Os sonhos voavam por entre nuvens de formas desiguais, por entre o ar esquecido que atravessava aquele sítio. Sitio dos sonhos, diziam, com o rio dos sonhos. Os sonhos voavam e deixavam-se deslizar por um fio, para as águas calmas. Sonhos multicolores desciam sem serem reparados, mergulhando e deixando as águas cada vez mais pintadas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    Ele passava horas contemplando o rio, esperando pelo momento em que os seus sairiam das águas e se fizessem notar…Mas nada, tudo continuava tão quedo e mudo, desde que ele chegara. Apenas o barulhinho dos sonhos inquietos por saírem, apenas aquele barulhinho mesmo aos seus pés… parecendo quase tocá-lo, mas no fundo tão longe. Tão longe, porque os sonhos estavam mesmo no fundo, sobre uma película de vidro inquebrável…ninguém chegava lá.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    Quando a noite chegava, ele recolhia o seu fio de pensamento, e levava-o até a sua casa, perto do rio dos sonhos. Por vezes, despertava do seu sono, com sonhos a pairar sobre a sua cabeça…levantava-se­­ e caminhava um pouco, caminhava e deitava-se junto da relva do rio, esperando, esperando…De cabeça voltada para um fundo azul escuro, voltava a desenrolar o seu fio de pensamento, e os seus sonhos. Os pontinhos luminosos diziam-lhe coisas ao ouvido, coisas que fazem chorar. Diziam que ele nunca iria ver um único sonho dele sair por a frincha do vidro…Diziam-lhe coisas ao ouvido, e ele pensava ouvir, mas não ouvia… Deixava-se estar um pouco mais sobre a relva, mesmo com pequenas gotas de água que caiam sobre si, mesmo com o vento que arranhava a pele e fazia os olhos chorar. E ele chorava, por causa da água que lhe caía, por causa do vento que lhe soprava nos olhos, por causa da película de vidro, por causa do fundo do rio, não dos sonhos, mas sim dos seus sonhos perdidos…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    Acabava por adormecer na relva fria e húmida, e as pessoas chamavam-no louco. Louco por achar que estar ali condicionaria o desejo das águas…Louco, sussurravam, louco, gritavam, louco diziam as pessoas tal como os pontinhos do céu lhe diziam. Mas ele não ouvia, ou não queria ouvir…Continuou de pé firme, esperando, esperando, esperando…Quando todos se esqueciam dos seus sonhos, quando a maior parte desistia de sonhar, ele ali estava cada vez mais sonhador…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    As manhãs, as tardes e as noites repetiam-se num constante esperar…Pensou desistir, esquecer como todos lhe diziam…mas numa dessas noites, em que se achava deitado na relva, sonhou…sonhou mais um pouco, e mais, e mais, e mais, e ainda mais, e ainda mais que o mais do ainda mais. Sonhos de uma vida, acumulados no extenso fio do seu pensar…Fio de pensamento que tinha linha, como novelos de lã, que se entrelaçavam uns com os outros e davam um gigante novelo de lã…assim era o seu fio de pensamento, e os seus sonhos cobriram-no todo, formando uma grande bola de sonhos…A bola flutuava pesada no ar, pisando as nuvens, pisando o ar com o seu monstruoso peso…O ruído não era leve, como os outro sonhos, era um rolar intenso, uma melodia desesperada de esperança e desejos…A bola pesava cada vez mais para o rio, cada vez mais, até que tocou na fina película, que cedeu um pouco…os sonhos não paravam de chegar, enaltecendo a grandiosidade da bola de sonhos. Estalidos, e fendas cada vez maiores a bola tentava encontrar os outros sonhos perdidos…Mais e mais sonhos, mais e mais estalidos e fendas…Estrondo…Vidros partidos, que voaram em todas as direcções, vidros que tocaram os pontinhos luminosos e os fizeram encolher…Pedacinhos de vidros que choviam por entre as cores dos sonhos que saiam velozes com o vento, que se espalhavam como setas que cortavam o ar, e se faziam notar, rasgando a vida do sonhador que sonhou…Sonhos tão belos e coloridos, só daqueles que fazem sorrir, fechar os olhos e abrir muito os braços. Só daqueles que fazem sorrir pela boca, pelos olhos, pelo nariz, pelas orelhas, pelos dedos…Só daqueles que nos fazem girar, e depois cair com gargalhadas…Só daqueles que sonhamos e procuramos como se fosse um tesouro muito grande…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    E os sonhos fugiam, escapavam das águas do rio dos sonhos…e ele saltava vendo os seus sonhos colorir o céu, tornado-o tão belo e tão feliz…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    Os sonhos escapavam e ele ria muito alto, saltando por entre a relva que esperou com ele por aquele momento. Os sonhos pintavam tudo, e as pessoas acordavam e também riam com ele, rodopiavam com ele, rolavam pela relva, cantavam, saltavam, gritavam sem saber porquê…Só sabiam que estavam felizes, e havia cor, e não havia mais rio que prendia sonhos…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    Podiam colorir o mundo com sonhos bonitos, podiam pintar sorrisos, podiam sonhar...&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16808029-114047443954149389?l=palavrasaoalto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/feeds/114047443954149389/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16808029&amp;postID=114047443954149389' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/114047443954149389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/114047443954149389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/2006/02/o-rio-dos-sonhos.html' title='O rio dos sonhos'/><author><name>Sofia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_n5YtZEwREmw/Ssfs4ZjKl2I/AAAAAAAAAVI/GJUPfxo59yY/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC08630.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16808029.post-113879652579511274</id><published>2006-02-01T12:19:00.000Z</published><updated>2006-02-01T12:22:05.830Z</updated><title type='text'>Amor</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;A escuridão ocupava cada canto do quarto. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    O corpo estava quieto e adormecido por entre lençóis cheios de frio. As pernas encolhidas, e o cabelo disperso que beijava cada pedaço de almofada. Passos. Pequenos passos. Pequenos passos de veludo pisavam o escuro do quarto. Pisavam cada molécula de oxigénio, como se houvesse um céu por baixo deles. Pisavam cada partícula de silêncio esquecido, como se fosse houvesse um túmulo por baixo deles.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    O corpo continuava quieto, esperando os passos sem saber, esperando uma voz sem pensar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - Amor. - O som percorreu o ar, deslizou suavemente entre o escuro, e deixou-se cair nos cabelos negros. Passeou-se neles, deixando-se demorar, e foi entrando devagarinho no ouvido…o tímpano vibrou mansamente, mas o corpo não ouviu. Os passos percorreram mais um pouco o quarto e pousaram mesmo em frente da figura estendida. A escuridão esqueceu os passos e concentrou-se no leve deslocar de um rosto, e no timbre de um pousar de lábios num ouvido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;- Amor… - a voz soou ainda mais doce, ainda mais bela, e o som apenas se desapertou dos lábios, para cair directamente no ouvido. O corpo ouviu. O corpo acordou. O corpo abriu os olhos e encontrou escuro sobre escuro, e um olhar fixo na sua fragilidade descoberta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - Quem está aí? - Disse o corpo num murmúrio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - Sou eu amor, o amor…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - Amor? Quem é o amor?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - Ninguém, nada, tudo…sou tudo e sou nada… - Ouviu-se um riso triste que desvaneceu logo de seguida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    O corpo procurou a voz na escuridão. Tocou no vazio durante algum tempo e depois encontrou uns lábios…mais acima um nariz…umas pálpebras…as pestanas fechadas. Tocou a pele, sentiu a sua textura, o seu cheiro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - Amor… - concordou o corpo - Sim és tu, meu amor…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    Os lábios tocaram-se, mergulharam no dentro de cada um, guardaram palavras do fundo…esperaram…soltaram amarras e os fundos prenderam-se.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    Amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor, amor…repetiam os dois corpos em uníssono,como se a palavra fosse acabar e deixar de existir. As palavras lançadas de ambos os corpos chocavam uma na outra…as letras saltavam de cada palavra e enlaçavam-se…o A com o R, o M com O, o O com o M e o R com o A. As letras caíam com ruído no escuro. Chocavam, enlaçavam-se e caíam. Chocam, enlaçavam-se e caíam. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    Os olhos abriram-se e percorreram de novo o escuro, as mãos procuraram algo consistente, mas só agarraram partículas de ar e silêncio. O som já não se deixava cair nos ouvidos do corpo. Agora, o corpo só ouvia apenas o sussurrar dos seus movimentos, o sussurrar dos seus pensamentos velozes. Nenhum som para além do seu…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    Silêncio. E o silêncio cobrira um espaço maior que o escuro. Nada, vazio… Tudo igual, como se o corpo voltasse atrás…Pousou os pés no chão, sentiu as letras mortas por baixo dos pés, sentiu o frio das letras que corroíam os seus dedos…Procurou mais um pouco…letras esquecidas no escuro, suspensas no nada do silêncio…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;Ninguém, nada, tudo… Amor? Amor?... Ninguém, nada, tudo… &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16808029-113879652579511274?l=palavrasaoalto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/feeds/113879652579511274/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16808029&amp;postID=113879652579511274' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/113879652579511274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/113879652579511274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/2006/02/amor.html' title='Amor'/><author><name>Sofia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_n5YtZEwREmw/Ssfs4ZjKl2I/AAAAAAAAAVI/GJUPfxo59yY/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC08630.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16808029.post-113804924755498897</id><published>2006-01-23T20:46:00.000Z</published><updated>2006-01-23T20:47:27.560Z</updated><title type='text'>Pedacinhos de trapos ( I Parte)</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;O relógio da sala anunciava as quatro horas. O seu pêndulo brilhante produzia um sonoro tique - taque, mas para nada o acordava. Uma profunda sonolência tinha-se instalado no seu corpo, começando primeiro pelos olhos, causando-lhe um peso profundo, e depois alastrando-se pelos braços, pelas pernas, pelo tronco… Deixou-se cair no sofá, e ali ficara. A sonolência era tamanha, que nem ouviu o leve tocar dos pés feitos do mais belo tecido azul… nem ouviu o leve roçar de braços feitos do mais fino algodão e cobertos por um tecido bege grosso… nem ouviu o leve ondular dos cabelos castanhos feitos da mais resistente lã… nem ouviu o leve olhar que o percorria, feito com os mais engraçados botões. Pé ante pé, os olhitos percorriam a sala, com uma nuvem pairando, num misto de curiosidade e interesse que tocavam os cabelitos de lã.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    De repente, a sonolência abandonou o corpo dele, e lentamente ele começou a ouvir os passos, o roçar de braços, o ondular de cabelos… e sentiu um olhar pousado na sua direcção. Abriu os olhos cautelosamente, e… encontrou dois botõezinhos muito azuis a olhar fixamente nos seus olhos. Voltou a fechar os olhos, abriu, pestanejou repetidamente. Esfregou os olhos, e abriu-os de novo… Uma bonequita de trapos apareceu no seu campo de visão, uma bonequita de trapos com um vestido feito de vários tecidos multicolores, boca feita de tecido, nariz feito de tecido, olhos de botões, cabelo de lã envolto numa enorme rodilha de tecido, formando um chapéu. Ergueu-se lentamente, fitou-a durante um pouco, e sentou-se no chão desamparado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    Levantou-se um silêncio, seguido de várias interrogações.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - Quem és? - começou ele, levantando o sobrolho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - Sou uma boneca de trapos… - ouviu-se uma voz macia, como o próprio tecido de que era feita. A voz amaciou o ar e desvaneceu-se. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    Pensando que os seus olhos o atraiçoavam, e a sua imaginação se estendia um pouco mais que o habitual, levantou-se, sorriu para consigo mesmo, e foi à cozinha beber um pouco de água. Mas logo sentiu dois pezitos seguirem os seus, e voltou-se encarando a estranha figura.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    -Ora, será que não és capaz de acreditar em mim e aceitar-me? - resmungou ela - Começo a ficar um pouco aborrecida de andar atrás de ti por toda a casa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    Sim, de facto já a vira algumas vezes no quarto de costura da sua mãe, mas pensou que… nem sabia o que havia pensado… às vezes as sombras enganavam… Mas aquela voz parecia-lhe demasiado cansada e triste, e por isso resolveu aceitar a sua visão…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - Mas afinal, o que fazes em minha casa? - perguntou ele indignado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - Bem… o tecido das minhas pernas descoseu-se e o meu vestido rasgou-se. Então soube que a tua mãe era costureira, e depois de encontrar o seu quarto de costura consegui coser-me… - o seu rápido discurso foi interrompido por ele.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - Mas afinal, quem és tu? De onde vieste? O que tenho eu a ver com as pernas e vestido descosidos? Porque não te costuraste e te foste embora? Porque falas tu comigo? Porque teimam os meus olhos em ver coisas que não são reais?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - Ora bem… eu sou uma boneca de trapos, de onde vim não importa, tens a ver com o meu “ descosimento”, porque a tua mãe é costureira, não me fui embora porque ainda tenho umas coisas a tratar, e falo contigo, porque te acho um ser curioso, e os teus olhos não te enganam… porque teimas tu, em te fechar no teu mundo feito de realidade? Porque não deixas a tua mente explorar o improvável? - mais uma vez o discurso rápido alargou-se no ar, e o tom doce e ao mesmo tempo autoritário e decidido, convenceu-o. Aceitaria falar com uma boneca de trapos…iria ceder à sua própria loucura…Mas havia de facto uma pontinha de curiosidade e simpatia por aquela bonequita tão engraçada. Cedeu-lhe o quarto de costura da mãe para terminar o seu arranjo, e deitou-se a observar. As hábeis mãos de pano costuravam o vestido, colocando aqui e além, mais um toque de graça. Ela reparou que ele a observava, e lançou-lhe um aberto sorriso, mostrando os seus dentes feitos de um tecido muito branco.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - Então sempre acreditas nos teus olhos? - disse ela cortando a linha com as mãos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - Tento acreditar… &lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - Porque é tão difícil aceitar que…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - É difícil aceitar, porque nunca vi nada igual…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - O medo da diferença, o medo, sempre o medo… eu posso ser diferente de ti em alguns aspectos, mas no fundo, sou igual, ando, falo, penso, sinto… &lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    Os ouvidos de pano esperaram uma resposta mas não a obtiveram. Ele ficou mudo, o ar silencioso, e a boneca sentou-se no chão mesmo ao lado dele…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - Obrigada pelas linhas e tecidos…vou-me embora…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - Espera… - disse ele - não vás ainda… ou melhor… podes voltar amanhã para falarmos um pouco mais?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    Ele próprio se surpreendeu com as suas próprias palavras. Ela sorriu, mostrando novamente os dentes brancos de pano, e ele quase jurou ter visto um brilhozinho nos olhinhos-botões.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - Se assim o queres, eu volto… Gostarei de falar contigo mais uma vez.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16808029-113804924755498897?l=palavrasaoalto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/feeds/113804924755498897/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16808029&amp;postID=113804924755498897' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/113804924755498897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/113804924755498897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/2006/01/pedacinhos-de-trapos-i-parte_23.html' title='Pedacinhos de trapos ( I Parte)'/><author><name>Sofia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_n5YtZEwREmw/Ssfs4ZjKl2I/AAAAAAAAAVI/GJUPfxo59yY/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC08630.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16808029.post-113804915344916670</id><published>2006-01-23T20:45:00.000Z</published><updated>2006-01-23T20:45:53.453Z</updated><title type='text'>Pedacinhos de trapos ( II Parte)</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;O resto do dia passou. Ao fim da tarde, a mãe dele chegou da feira de tecidos, e perguntou o que havia acontecido no seu quarto de costura. Linha, tecidos espalhados pelo chão… tudo muito desarrumado e suspeito… ali havia asneira pela certa! Ele encolheu os ombros e foi para o seu quarto. Pegou numa folha branca, em alguns lápis e começou a desenhar o que a memória lhe trouxe… tecidos, linhas, botões e lã, foram aparecendo no papel.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    No dia seguinte, quando o relógio marcou as quatro horas da tarde, e o som das badaladas entoou pela sala, ele sentou-se muito direito, com o olhar preso na porta… De novo os pés de tecido apareceram, os cabelos ondularam e os seus olhos voltaram a encontrar os dele. Sentado no chão da salinha de costura, ele ofereceu-lhe o seu desenho, e ela ofereceu-lhe o seu sorriso dançando por entre tecido e costuras. Falaram toda a tarde, de tudo ou quase tudo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    À tardinha, ela despediu-se e ele pediu-lhe para ela voltar novamente. Ela assim fez, voltou no dia seguinte, quando o relógio se preparava para assinalar as quatro horas. Os seus pés escorregaram vindos não se sabe de onde, para mais uma tarde de conversa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    Os dias seguiram-se, assim como as visitas e conversas. Depois de algum tempo passado, ele já nem se lembrava que ela era feita de tecido, porque ela era tão igual a ele. Em algumas conversas eles discutiam as suas ideias, mas no fim, as vozes amenizavam, e os dois aceitavam as ideias um do outro, como dois bons amigos o fazem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    Num dos muitos dias em que ela ia partir, o seu coração ficou apertado. Desejava que o relógio da sala marcasse novamente as quatro horas, para que a bonequita de trapos voltasse e conversassem mais uma vez. Mas não. Quem voltava, dentro em pouco era a sua mãe. Chegava sempre àquela hora, de tirar as medidas a uma cliente para um vestido, ou de comprar linhas e tecidos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    Nessa noite, ele sonhou com a boneca de trapos, sentada na salinha de costura, conversando para sempre com ele. Então, compreendeu o que lhe dizia o pensamento e os sonhos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    No dia seguinte, ao bater das quatro horas, ela apareceu, e pareceu-lhe ainda mais bonita. Nesse dia, a conversa não começou… o ar estava carregado de silêncio. Por cima da cabeça dele, apareciam balões de pensamentos cheios de palavras desorganizadas, que ele apagava com um abanar de cabeça… negando tudo, negando-se.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - O que se passa? - perguntou a sua voz dela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - Nada… - disse ele mentindo. Mas quando disse isto, a voz faltou-lhe, e a resposta pareceu-lhe tão clara. Tudo se passava, tudo…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - Não me parece que assim seja. - disse ela sentando-se ao seu lado, chegando o seu corpo de pano, para o corpo dele.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - Bem… - começou ele - algo de estranho se passa… - disse ele por fim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - Como assim? - perguntou ela, sem perceber.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - Ora… bom… eu… &lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    Embrulhou as palavras na língua. Não dizia nada com sentido, mas por fim, decidiu-se.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - Eu… gosto de ti… - sussurrou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    A bonequita aproximou-se dele e disse baixinho:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - Eu também…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    Pousou uma mão de pano na dele, e outra no seu cabelo encaracolado. E depois continuou:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - E isso é estranho porquê?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    As leves meiguices acalmaram-no e então pôde falar com clareza.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - É estranho, porque és uma boneca de trapos, supostamente não és real…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    As festas pararam, a mão dela separou-se da sua, e ouviu uma voz fraca responder:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - Pensei que tínhamos discutido isso… que importa se sou uma boneca de trapos? Se supostamente sou irreal? Também tu podes ser um boneco de trapos… também tu recolhes pedacinhos do que encontras… um bocadinho de amor, um bocadinho de amizade, um bocadinho de alegria…assim como eu recolho bocadinhos de tecido. Podemos sempre achar semelhanças entre todos nós, e aceitar as nossas diferenças, pelas nossas semelhanças. Somos iguais… o meu aspecto pode ser diferente, mas somos iguais. Agora que colhi um bocadinho do teu amor, fico triste, se o tornar a colocar onde o achei…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    As pálpebras de tecido fecharam-se, largando pedacinhos de tecido transparente… &lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    Ele reflectiu nas suas palavras, limpou-lhe as lágrimas de tecido e manteve o silêncio por algum tempo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    - Também eu te aceitei. - disse ela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    Ele pegou na mão de pano, puxou-a, levantou-a. Abriu a porta da salinha de costura, e partiram… Partiram para o sitio onde as diferenças não existem, para o sitio onde todos aceitam todos por igual…&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16808029-113804915344916670?l=palavrasaoalto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/feeds/113804915344916670/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16808029&amp;postID=113804915344916670' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/113804915344916670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/113804915344916670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/2006/01/pedacinhos-de-trapos-ii-parte.html' title='Pedacinhos de trapos ( II Parte)'/><author><name>Sofia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_n5YtZEwREmw/Ssfs4ZjKl2I/AAAAAAAAAVI/GJUPfxo59yY/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC08630.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16808029.post-113779942112841967</id><published>2006-01-20T22:54:00.000Z</published><updated>2006-01-20T23:23:41.143Z</updated><title type='text'>Estrela-do-mar</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Era uma vez uma estrela do céu. O céu agarrava-a pelas suas cinco pontas, mantendo-a sempre fixa e imóvel, no seu canto azul-escuro. Do céu, ela via o mar, as ondas pequeninas que se formavam lá do fundo da sua visão, e que embatiam contra a areia. Via a espuma branca que se formava depois, naquela dança de grãos de areia com conchas, conchas com búzios, búzios com pedrinhas, formando mais e mais areia. Tão bela paisagem, mas tão cansativa. Ela queria ver coisas novas, queria ver o mar e a areia de perto, ver o céu lá de baixo, sentir o movimento, não ficar para sempre presa naquele seu céu escuro. Lá em baixo havia um mundo de cores à sua espera… os seus olhos ficavam já fartos de observar sempre o mesmo azul, sempre o mesmo branco da lua, sempre o mesmo dourado das suas companheiras… Lá em baixo não havia menos que meios dias, lá em baixo existia um dia, um dia completo para aparecer e viver para o universo em seu redor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    Numa bela noite, a estrela do céu decidiu forçar os fios que a prendiam. Puxou, puxou, e por fim, uma das cordas finas e transparentes quebrou, forçou outra, e quebrou, e mais outra e outra, e por fim a última das suas cinco pontas descolou do céu, partindo em dois a última corda. A estrela caiu desamparada pelo céu fora, deixando atrás de si um longo rasto dourado e brilhante… caiu no mar. O contacto com as ondas do mar foi súbito. Para uma estrela do céu, sempre quieta, o movimento do ondular das ondas foi um choque. Por cima das grandes vagas, que lá do alto lhe pareciam tão pequenas, ela tentava observar o céu…E lá o viu. Nunca o viu tão extenso e com tantos pontinhos brilhantes. Era belo. Desceu ao fundo do mar, sentiu a areia nas suas cinco pontas, tocou os peixes, conchas e búzios… Mergulhou no movimento, mergulhou para um universo, diferente… não havia nada igual, nada fixo… havia sim grande variedade de tudo, cheio de cor, cheio de diferenças.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    A estrela do céu passou a ser a estrela-do-mar. Com a sua partida do céu, também algumas partiram do céu para o mar, à procura de um novo mundo. Poucas se conseguiram desprender das suas cordas transparentes… Talvez será essa a razão para a qual existe mais estrelas do céu do que estrelas-do-mar, e também será essa razão pela qual vemos tão poucas vezes estrelas cadentes…poucas têm coragem de se lançarem a um mundo desconhecido, poucos têm medo de deixar um brilho físico, para brilharem por dentro, para se sentirem plenos…Poucos têm força para contrariar os fios que as puxam…&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16808029-113779942112841967?l=palavrasaoalto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/feeds/113779942112841967/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16808029&amp;postID=113779942112841967' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/113779942112841967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/113779942112841967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/2006/01/estrela-do-mar.html' title='Estrela-do-mar'/><author><name>Sofia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_n5YtZEwREmw/Ssfs4ZjKl2I/AAAAAAAAAVI/GJUPfxo59yY/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC08630.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16808029.post-113735780905604131</id><published>2006-01-15T20:41:00.000Z</published><updated>2006-01-15T20:43:29.686Z</updated><title type='text'>Chorar...</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Ouço a chuva lá fora… Permaneço só, desfiando as palavras, palavras de mim para ti, só porque hoje é hoje, e hoje ouço o céu e ouvi-te desamarrar as cordas de água que resistiram por muito tempo…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    Chora. Choremos os três. Só porque hoje é hoje, e hoje tudo aparece e se desfaz em bocadinhos monocromáticos que guardamos em nós… só porque hoje é hoje, e hoje as nuvens pairam e ficam em nós, despejando água e mais água…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    Porque se despejam em nós? Ninguém tem culpa, de se quererem desprender da vossa água…temos água que chegue não nos venham atirar com mais em cima…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    Choremos baixinho…choremos para dentro, já que sabemos que nos sabem… &lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;“Também eu queria parar, chorar, cair para me levantar para te puxar…” Foi isso que fiz, parei e chorei por nós os três… por nós que choramos à espera de algo…sol talvez… tento puxar-nos, tento…quero conseguir…eu sei que consigo puxar-nos e sei que vocês também me vão puxar… Juntem os vossos olhos nos meus, eu choro por vocês…nem que os meus olhos se afoguem, nem que não reste mais nada em mim senão água…eu choro por vós… pelo menos sei que tentei fazer algo para afastar as nuvens, nem que forçosamente as tenha de pôr em cima de mim… Juntem as vossas mãos nas minhas, fechem os olhos, respirem comigo, em uníssono, longe mas perto, cada vez mais juntos e fortes, e altos, mais altos que as nuvens mais altos que a própria água que rebenta debaixo dos nossos pés…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    Lá fora, o céu começa a sentir as minhas palavras, e por isso luta contra as nuvens que o preenchem… “ para te fazer sorrir não voltar a cair….” Não vamos voltar a cair, não vamos voltar a puxar-nos do fundo, vamos continuar a sorrir…porque hoje é hoje, e hoje o céu já não desamarra as cordas de água que ouvi…assim como espero que as tuas se não desamarrem neste momento…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    O amanhã deste hoje, destes hojes, irá ser muito melhor…hoje choramos, porque as nuvens assim o quiseram, amanhã, as nuvens terão partido para outros céus… depois da grande tempestade, vem a calmaria…já diziam…coisa acertada…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16808029-113735780905604131?l=palavrasaoalto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/feeds/113735780905604131/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16808029&amp;postID=113735780905604131' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/113735780905604131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/113735780905604131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/2006/01/chorar.html' title='Chorar...'/><author><name>Sofia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_n5YtZEwREmw/Ssfs4ZjKl2I/AAAAAAAAAVI/GJUPfxo59yY/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC08630.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16808029.post-113733013675826335</id><published>2006-01-15T12:59:00.000Z</published><updated>2006-01-15T13:02:16.783Z</updated><title type='text'>Só</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;    Estou só eu aqui. Não há mais ninguém. Estou no alto do precipicio do mundo, onde nada consegue chegar. Isolada de tudo o que é terreno. Quase toco o céu, quase toco uma nuvem passageira, quase voo com os pássaros que aqui passam. Mas estou só no meio de tanto. Vejo um verde de perder vista. Vejo quase todo o mundo, mas estou só...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    A brisa chega-me aos lábios, mas não me beija, o quente passa por mim, mas não me aquece, vejo sombras que não são minhas, vejo gente que não me toca. Ouço vozes que não me falam... aqui nada me chega, estou no alto do mundo, mas tão fraca, tão no fundo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    Toco em pedras que me rasgam os pés, tento agarrar lascas do que me pertence mas corto o que é meu. A pele engelhada, rasga-se em pedaços, o coração parte-se em bocadinhos...não consigo juntá-los...perdi-os rolaram encosta abaixo, só o céu sabe quem os agarrou, só o céu sabe quem os quererá colar, reconstruir pedacinho a pedacinho uma artéria, uma veia...só o céu sabe quem o aperta entre os braços e espera com toda a certeza que ele voltará a bater e bombear vida para mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;    Estou só eu aqui. Não há mais ninguém. Um chão duro é o que me apoia os pés, um chão duro que podia partir e atirar-me outra vez ao outro mundo. Um mundo em que todos pudessem cair e levantarem-se de seguida, sem nenhuma chaga…apenas a vontade de seguir em frente.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16808029-113733013675826335?l=palavrasaoalto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/feeds/113733013675826335/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16808029&amp;postID=113733013675826335' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/113733013675826335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/113733013675826335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/2006/01/s.html' title='Só'/><author><name>Sofia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_n5YtZEwREmw/Ssfs4ZjKl2I/AAAAAAAAAVI/GJUPfxo59yY/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC08630.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16808029.post-113517449190243269</id><published>2005-12-21T13:53:00.000Z</published><updated>2005-12-21T14:14:51.916Z</updated><title type='text'>Nuvem de música</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Ouve-se ao fundo os leves sons de uma música...ouvem-se as notas arranhar o ar, enquanto se movem lentamente. Olhos fechados, mãos fechadas, e a nuvem de música que se começa a formar, ainda um pouco dispersa à minha volta. Vai-me envolvendo, vai-me sugando outros pensamentos, restando apenas o som...não o som do mundo lá fora, mas o som do mundo da música...desta música.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;As notas ganham velocidade, os olhos continuam cerrados, mas a palma da mão passeia-se na nuvem que me envolve, retém-se por momentos em sons e em palavras que ficam, para logo passarem a seguintes. Fecho os dedos...colcheias, semicolcheias...bês, cês, dês...ficam presos por entre os dedos. Encosto a mão no peito, sinto as notas e as palavras entrar pelos poros, como um sopro quente. Guardo-as no meu dentro apertado, que se contrai pela beleza do conjunto , pela beleza da música. Esta nota aqui, esta palavra ali, esta acolá. Fiquem, fiquem mais um pouco...os músculos, as veias e as artérias pedem e prendem-nas mais um pouco...mas elas saiem por onde entraram, e fica apenas um rasto sulcado. Os olhos abrem-se, e as notas saiem, os lábios abrem-se e as palavras saiem...em forma de lágrimas músicais, que dançam enlevadas no rosto pela melodia, em forma de um trautear baixinho que escapa por entre os lábios...elas saiem porque são livres, e a nuvem da música as espera, para as acolher e novo e partir. As notas e as palaras juntam-se, primeiro rapidamente, depois lentamente, até que se separam e a nuvem se evapora...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;E tudo recomeça.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;Not swallowed in the sea- Coldplay- X &amp; Y&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;( Quando a música acaba e fica o desejo de mais e mais, e o medo que na próxima vez a nuvem de música não nos encante tanto como das outras vezes...que falte o aperto cá dentro, que nos falte o sentido da música, que falte a lágrima musical...)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16808029-113517449190243269?l=palavrasaoalto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/feeds/113517449190243269/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16808029&amp;postID=113517449190243269' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/113517449190243269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/113517449190243269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/2005/12/nuvem-de-msica.html' title='Nuvem de música'/><author><name>Sofia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_n5YtZEwREmw/Ssfs4ZjKl2I/AAAAAAAAAVI/GJUPfxo59yY/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC08630.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16808029.post-113468265115049194</id><published>2005-12-15T21:11:00.000Z</published><updated>2005-12-15T21:37:31.163Z</updated><title type='text'>Homem</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Era fria e húmida a prisão onde se encontrava o Homem. Grossas barras separavam a humidade do interior da sua cela e a do exterior da sua cela. O Homem dormia naquela cama feita de pedra fria, com o resto de um manto putrefacto que lhe restava para manter a réstia de calor. A cela cheirava àquele cheiro forte a dejectos, a suor fresco, e a suor encrustado na pele...cheirava a Homem. O próprio Homem não se importava com o cheiro, com a humidade, com o frio da cela, era por escolha dele que ali estava, ele próprio construíra a sua própria cela. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;Havia uma única janela na cela, uma janela sem grades, onde o sol brilhava, onde o ar entrava limpo trazendo a frescura do dia lá fora, mas o Homem tapara a janela com o seu manto, tapara e confinara-se ainda mais à sua prisão...o sol cegava-o, e o ar limpo já não lhe parecia normal...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;Durante o dia, o Homem fazia nada, e nada continuava fazendo até que o a escuridão chegava.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;O Homem não se importava, não fazia coisa alguma e vivia esquecido naquele cubiculo, onde ninguém lhe chegava para o apontar, para o contrariar...Apesar de suja a cela não era assim tão má, pensava o Homem, afinal a própria cela tornava-se melhor, porque se tratava da cela do Homem. Ignorante era o Homem, e assim vivia...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;Ora Homem...olha à volta, olha à volta do mundo que consideras teu, e diz-me se viverás numa cela, ou se a cela vive em ti próprio... &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16808029-113468265115049194?l=palavrasaoalto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/feeds/113468265115049194/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16808029&amp;postID=113468265115049194' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/113468265115049194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/113468265115049194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/2005/12/homem.html' title='Homem'/><author><name>Sofia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_n5YtZEwREmw/Ssfs4ZjKl2I/AAAAAAAAAVI/GJUPfxo59yY/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC08630.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16808029.post-113468054939251997</id><published>2005-12-15T20:51:00.000Z</published><updated>2005-12-15T21:02:29.403Z</updated><title type='text'>Fio das palavras...</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Fio...mais fio...mais e mais fio...muito mais que mais fio que possa existir. Pensamentos por entre o fio das palavras, pensamentos por dentro e fora do fio das palavras, que é tão pouco...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;As palavras soltam-se  do que se processa, soltam-se e escorrem pela garganta, soltam-se da garganta e transformam-se em particulas de som que se soltam do ar e se agarram aos meus ouvidos, aos teus ouvidos, aos dele, aos vossos, aos deles...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;Mesmo assim...mesmo que as palavras se prendam, o fio parece sempre tão curto, o fio parece sempre tão curto para as palavras, para os pensamentos, que acabam nas entranhas de um algo que está tão dentro que nem parece real, e se acaba por esquecer...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;Devolve-me o fio, ou dá-me mais um pouco...sei que já tenho muito mais que o mais, mas os pensamentos querem mais por onde sair, e eu quero mais por onde dizer, por onde pensar, por onde me fazer ouvir...quero mais...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-family: arial;"&gt;Ver, absorver, sentir, pensar, processar, soltar...mas tão pouco fio...&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16808029-113468054939251997?l=palavrasaoalto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/feeds/113468054939251997/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16808029&amp;postID=113468054939251997' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/113468054939251997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/113468054939251997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/2005/12/fio-das-palavras.html' title='Fio das palavras...'/><author><name>Sofia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_n5YtZEwREmw/Ssfs4ZjKl2I/AAAAAAAAAVI/GJUPfxo59yY/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC08630.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16808029.post-113389864059616937</id><published>2005-12-06T19:49:00.000Z</published><updated>2005-12-06T19:50:40.596Z</updated><title type='text'>Olha e vê</title><content type='html'>Olho-te. Olho-te bem dentro e vejo o que tens dentro do que te escondes. Tu olhas mas nem me vês. E eu espero… o mundo também espera que um dia me vejas, que o vejas e te vejas a ti. Mas nada… o mundo continua à espera e tu olhas para tudo, olhas o céu, as nuvens, as pessoas à volta, o mundo à tua volta. Olhas mas és cego por dentro. Quantos queriam os olhos! E tu apenas olhas…&lt;br /&gt;Olhas para ti mesmo e não vês o que eu vejo por dentro do que te escondes. Um coração… tão frágil, que pulsa sangue tão pouco, que não pulsa calor para ti e para o mundo. Continuas a sorrir como se sentisses o coração bater. Mas não sentes… tu olhas mas não vês e és cego e não sabes…&lt;br /&gt;O coração a parar, a parar, cada vez mais, tão lentamente que até dói, tão lentamente que até pára o meu por instantes.&lt;br /&gt;Vejo os teus olhos fechar, vejo os teus lábios fechar, vejo os teus braços e pernas fechar, vejo o teu corpo fechar-se ao mundo… Vejo o teu corpo no chão mas ele não me vê e assim continua, fechado sobre si mesmo, cego mesmo quando morre.&lt;br /&gt;Não me morras! Diz o meu coração mas o teu nem responde… Continua quedo e mudo no chão, com veias que estão vazias e cheias de morte para ti.&lt;br /&gt;Tento fugir do que me prende, do que te prende… Tento atravessar o que te protege e ao mesmo tempo te mata, o que te torna tão fraco… Caio, parto-me em bocados pequenos que tentam chegar a ti, por alguma fresta do teu olhar… Parto-me em vão… Enquanto tu te quebras em dois, caído no chão, de olhar perdido em nada…&lt;br /&gt;Não me morras… dizem as lágrimas… mas tu há muito que partiste…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16808029-113389864059616937?l=palavrasaoalto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/feeds/113389864059616937/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16808029&amp;postID=113389864059616937' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/113389864059616937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/113389864059616937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/2005/12/olha-e-v.html' title='Olha e vê'/><author><name>Sofia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_n5YtZEwREmw/Ssfs4ZjKl2I/AAAAAAAAAVI/GJUPfxo59yY/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC08630.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16808029.post-113389851679306216</id><published>2005-12-06T19:47:00.000Z</published><updated>2005-12-06T19:48:36.806Z</updated><title type='text'>Livro</title><content type='html'>Observo os pés pisar o chão, observo os joelhos dobrar, os braços ao longo do corpo, acompanhando o movimento do passo incerto. Piso o chão como quem pisa o que não quer… Olho à volta como quem procura o que quer, o que precisa… Nada à volta anuncia a presença de algo e continuo a pisar com quem não quer e a pensar como quero tanto…&lt;br /&gt;Carrego o meu livro com uma enorme capa vermelha que cobre páginas amarrotadas, páginas lisas, páginas tão presas, páginas soltas e tantas páginas em branco.&lt;br /&gt;Um grande livro, de uma grossura colossal, um peso grandioso… Eu piso o chão e o livro pisa-me a mim… As páginas amarrotadas pesam mais, as lisas, levo-as sem sentir e as páginas presas já tomaram o peso sobre as minhas costas. As restantes… continuam com um peso nulo mas que também pesam e talvez pesem mais que as outras…&lt;br /&gt;Um passo, uma frase, um passo, uma palavra, um passo, dois, três, quatro… um livro…&lt;br /&gt;É o meu livro mas não o controlo. Escreve o que vê, escreve o que nem vê, escreve o que nem sente, nem ouve, nem cheira… escreve o que é e não é, e o que espera que seja…&lt;br /&gt;No fim, pés, o pisar do chão, joelhos dobrados e braços ao longo do corpo que acompanham o movimento do passo, originaram frases… No fim, o chão que piso, o que olho e o que não quero, e quero tanto… originaram frases do meu livro.No fim, mais um que vagueia por ruas, com o peso das páginas que um dia se fizeram e, com a certeza que haverão muitas mais para escrever…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16808029-113389851679306216?l=palavrasaoalto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/feeds/113389851679306216/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16808029&amp;postID=113389851679306216' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/113389851679306216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/113389851679306216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/2005/12/livro.html' title='Livro'/><author><name>Sofia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_n5YtZEwREmw/Ssfs4ZjKl2I/AAAAAAAAAVI/GJUPfxo59yY/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC08630.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16808029.post-113135032581732048</id><published>2005-11-07T07:57:00.000Z</published><updated>2005-11-07T07:58:45.826Z</updated><title type='text'>Frio...</title><content type='html'>O sol espreita mas não traz nada de novo. O mesmo sol, o mesmo cenário, o mesmo guião mas sem a luz que preciso...&lt;br /&gt;Tento arrancar-me do frio que faz, apesar dos abraços tão quentes e tão ternos...&lt;br /&gt;Eu quero ter fôlego, parar e parar de chorar... mas as lágrimas já sabem o caminho de cor. E eu arrasto-me, arrasto o peso bruto de um corpo por este cenário de céu tão escuro e árvores despidas... também elas devem gelar...&lt;br /&gt;Não quero estar aqui fora, quero estar no meu dentro mas eu quero um dentro quente... não quero estar aqui fora onde tudo corrói, onde o vento passa e tenta agarrar-nos os pés... onde tudo se quer manter quente e os esforços são tão grandes... mas o meu dentro é frio e o ar que lá corre tornou-se tão rarefeito e gélido que queima e sufoca ao mesmo tempo. Os músculos da cara pesados, tão pesados, os olhos cerrados e húmidos, os lábios roxos, a pele pálida com veias geladas... as mãos enregeladas, os movimentos mecânicos,  os músculos entorpecidos... frio, tão frio... Não quero desistir, deixar-me morrer mas não faço nenhum movimento. Luto por dentro. Empurro o bafo quente para o interior, as mãos não se movem mas friccionam os meus músculos, os  meus ossos, o meu sangue...&lt;br /&gt;Tento a todo o custo sentir o calor... e se não conseguir?...&lt;br /&gt;Ficarei aqui, no cenário escuro, à espera de um novo cenário, à espera de um novo guião... à espera de mais luz? Ou espero pelo fim inevitável do filme?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16808029-113135032581732048?l=palavrasaoalto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/feeds/113135032581732048/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16808029&amp;postID=113135032581732048' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/113135032581732048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/113135032581732048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/2005/11/frio.html' title='Frio...'/><author><name>Sofia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_n5YtZEwREmw/Ssfs4ZjKl2I/AAAAAAAAAVI/GJUPfxo59yY/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC08630.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16808029.post-113031256851693463</id><published>2005-10-26T08:40:00.000+01:00</published><updated>2005-10-26T08:42:48.523+01:00</updated><title type='text'>Olhos de lua</title><content type='html'>Da janela viam-se os cabelos a ondular levemente com a brisa da noite. No parapeito, os seus braços tentavam agarrar a imagem para depois vê-la mais tarde na escuridão do seu sono. O sorriso fácil bailava na sua cara e os olhos, aqueles olhos que pareciam duas luas cheias, reflectiam duas luas pequeninas, semi-preenchidas e amarelas.&lt;br /&gt;Quero ir à lua, pensava ela, mas não quero ir à lua dos astronautas, cheia de pegadas e bandeiras... quero ir a esta lua, que está aqui neste céu tão próximo de mim. Onde posso observar as luzes das cidades e as pessoas muito pequeninas. Fechou os olhos de lua cheia e concentrou-se no seu desejo. Pediu com muita força até se formarem pequenas rugas nos cantos dos olhos.&lt;br /&gt;Abriu-os, pestanejou duas vezes.&lt;br /&gt;À sua frente encontrava-se uma escada que ligava a sua janela à Lua. A escada era em caracol e podia ver-se flores a cobrir todo o corrimão. Flores vermelhas, amarelas, azuis, roxas, cor-de-rosa...&lt;br /&gt;Abriu-se um sorriso tão largo que quase não cabia na sua cara. Abriu mais um pouco a janela, subiu ao parapeito e pousou o pé descalço no primeiro degrau. Subiu, subiu, subiu, subiu enquanto observava a imagem da sua janela cada vez mais longe e as luzes da cidade cada vez mais pequenas. 200 degraus para chegar à Lua, mas conseguira. Empoleirou-se no quarto crescente e observou até não conseguir mais.Ali estava a cidade adormecida... e ouvia-se o som do suspiro de múltiplos sonhos e desejos reprimidos durante o dia. Ali estava a cidade adormecida, desperta e atenta a todos os movimentos do sono. Os seus pés tocavam nas estrelas, que salpicavam o céu escuro, e elas beijavam-nos, dançavam à sua volta, iluminando-lhe mais a imagem lá ao fundo. Observou e sorriu, até os seus olhos lhe pesarem de tanto sono. Então encostou-se à Lua e a  Lua abraçou-a e aconchegou-a junto a si. Os olhos de Lua cheia uniram a pálpebras finas e assim dormiram, um pouco despertos, e sonharam na Lua em quarto crescente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16808029-113031256851693463?l=palavrasaoalto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/feeds/113031256851693463/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16808029&amp;postID=113031256851693463' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/113031256851693463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/113031256851693463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/2005/10/olhos-de-lua_26.html' title='Olhos de lua'/><author><name>Sofia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_n5YtZEwREmw/Ssfs4ZjKl2I/AAAAAAAAAVI/GJUPfxo59yY/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC08630.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16808029.post-112918679512023349</id><published>2005-10-13T07:59:00.000+01:00</published><updated>2005-10-13T07:59:55.126+01:00</updated><title type='text'>Rasto salgado</title><content type='html'>Sinto uma lágrima presa. Sinto que se franzir um pouco mais a testa, se fechar mais os olhos, se puser a boca ao contrário de um sorriso, ela cai. Eu sei. Ela diz-me que é assim, e que não há outra forma de ficar retida eternamente nas pestanas.&lt;br /&gt;Sinto o seu peso...nela reside todos os meus medos, nela está o peso da tristeza que me quebra. É pesada esta lágrima, mal consigo sustê-la nos olhos, mal consigo ver o que me rodeia, a lágrima cobre-me a retina, torna a minha visão opaca e difusa...mais do que o que sempre foi...&lt;br /&gt;Tenho de fechar os olhos, ela quer correr, quer marcar um caminho para outras correrem, ela necessita de respirar o mundo.&lt;br /&gt;As pestanas chocam umas nas outras. A lágrima fica presa no último fio de uma pestana, mas logo se liberta. Caiu. Rápida e leve.&lt;br /&gt;-“Percebes agora a tua origem, lágrima?”- perguntei baixinho.&lt;br /&gt;            Ela nada disse. Correu apenas. Deixou o seu rasto salgado, e esperou no canto da boca, que outras seguissem o caminho.&lt;br /&gt;            Silêncio. Espera longa. O segundo em que se processa emoções no interior.&lt;br /&gt;            Nenhuma veio, nenhuma a seguiu. Para ali se quedou, esperando em muda resignação, mas nada se mexeu. Uma mão decidiu apanhá-la... com todo o cuidado do mundo, colocou a gota no indicador e apagou o rasto deixado por ela. Fez com que nada tivesse existido...&lt;br /&gt;            Levou a lágrima de volta à origem.&lt;br /&gt;            Vem fica em mim. Não respires o mundo, respira-me. Consome tristezas cá dentro. Eu espero, não tenho pressa de formar novas lágrimas que te serão fieis seguidoras. Talvez fiques cristalizada no tempo, cristalizada nos olhos...talvez...mas eu não tenho pressa de te perder...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16808029-112918679512023349?l=palavrasaoalto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/feeds/112918679512023349/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16808029&amp;postID=112918679512023349' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/112918679512023349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/112918679512023349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/2005/10/rasto-salgado_13.html' title='Rasto salgado'/><author><name>Sofia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_n5YtZEwREmw/Ssfs4ZjKl2I/AAAAAAAAAVI/GJUPfxo59yY/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC08630.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16808029.post-112859315049142425</id><published>2005-10-06T11:04:00.000+01:00</published><updated>2005-10-06T11:05:50.496+01:00</updated><title type='text'>Num minuto</title><content type='html'>Os olhos encontraram-se num minuto. O minuto parecia mover-se devagar. Naquele minuto, as pessoas que se avistavam na rua moviam-se despreocupadamente, tudo se movia em câmara-lenta, sem pressa de chegar ao momento em que os olhos se separavam outra vez e seguiam mais uma vez o seu campo de visão.&lt;br /&gt;         Mas, aquele momento ainda não era esse momento. Por enquanto tudo estava concentrado em dois pares de olhos nada mais. Um par de olhos de um verde-água esquálido, e outro par de olhos escuros como o fundo do mar. O choque entre o escuro e o claro, o choque entre uns olhos redondos e uns rasgados. Um choque profundo que derivou num choque surpreso, um tanto envergonhado.&lt;br /&gt;         Nenhum dos dois pares de olhos se queria desprender, o olhar foi para além do suportável. Nasceu nos dois pares uma vontade de se unirem, de ficarem colados só a observar, cada pontinho de cada um dos olhos que dava cor. Nasceu nos dois pares de olhos a vontade de beijar a retina, se perder naquele mar de superficie e naquele mar de profundidade. Beijar a pálpebra fina que por segundos apenas quebrava a ligação do olhar. Nasceu nos dois olhos a vontade de tocar , abraçar... Abraçar aqueles olhos que pertenciam a alguém, levá-los consigo para bem longe daquele terminável minuto, fazer com que aquele olhar ficasse congelado, para depois relembrar o calor, a calma e a força sem limites dos olhos...         Os olhos encontraram-se num minuto. O minuto moveu-se devagar, mas acabara. O fio quebrou. Os olhos sentiram a partida do olhar, o fim do minuto moroso. Os dois pares de olhos moveram-se lentamente para uma rua de uma cidade coberta de outros olhos. Esqueceram o fio e ligaram-se ao chão. Perderam-se em caras difusas, procuraram outra vez o par de olhos, mas já se tinham movido. O minuto não voltava, o minuto não parava, as pessoas não se moviam lentamente. Num minuto os olhos encontraram-se, numa eternidade tentaram fazer um nó no fio que quebrou...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16808029-112859315049142425?l=palavrasaoalto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/feeds/112859315049142425/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16808029&amp;postID=112859315049142425' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/112859315049142425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/112859315049142425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/2005/10/num-minuto_06.html' title='Num minuto'/><author><name>Sofia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_n5YtZEwREmw/Ssfs4ZjKl2I/AAAAAAAAAVI/GJUPfxo59yY/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC08630.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16808029.post-112858564845651865</id><published>2005-10-06T08:58:00.000+01:00</published><updated>2005-10-06T09:00:48.460+01:00</updated><title type='text'>Nada-nada</title><content type='html'>3 de Fevereiro, 1981&lt;br /&gt;Estou triste...Estava há bocado a pensar que deveria escrever neste estado de espirito do nada-nada para saber utilizá-lo quando for necessário. Estou realmente no nada-nada à espera que o tudo-tudo venha ao meu encontro. Já vi que, só sendo indiferente, eu me posso "salvar" neste mundo. É o meu mecanismo de defesa. Além do nada-nada, tenho o "virar-me só para mim", bastar-me a mim própria.Venho a descobrir que cada vez me afasto mais das pessoas e não tenho muita certeza de me estar a aproximar de mim.Mas quem diabo sou eu? Eu nem sei quem sou nem que ando a fazer.Ás vezes penso que sou maluca ou que já nasci maluca ou então estou a ficar. Mas eu não me preocupo. Por agora ninguém sabe. E quando desconfiarem eu nunca direi o que penso. Hei-de fingir sempre, para baralhar toda a gente.Durante o dia surgem-me tantas ideias que eu gostaria de fixar!Mas não! A "câmara" continua a filmar e os rolos de filme são guardados nas gavetas da memória para surgirem (serem projectados) quando menos se espera.Estava há bocado a pensar que pensaria que iria escrever "estava a pensar há bocado".As pessoas são loucas. São todas loucas!E as que parecem "normais" são as que fazem mais esforços para fingirem que não são loucas.Eu finjo que sou "normal" e há pessoas que acreditam nisso. Mas eu sou louca. Mas sendo louca sei que finjo ser "normal", enquanto que há pessoas que ao fingirem ser "normais"julgam que não são loucas.Estou triste...acho que o tudo-tudo nunca me irá encontrar...&lt;br /&gt;Escrito por alguém que merecia tudo-tudo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16808029-112858564845651865?l=palavrasaoalto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/feeds/112858564845651865/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16808029&amp;postID=112858564845651865' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/112858564845651865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/112858564845651865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/2005/10/nada-nada_06.html' title='Nada-nada'/><author><name>Sofia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_n5YtZEwREmw/Ssfs4ZjKl2I/AAAAAAAAAVI/GJUPfxo59yY/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC08630.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16808029.post-112772551051786250</id><published>2005-09-26T09:58:00.000+01:00</published><updated>2005-09-26T10:05:10.520+01:00</updated><title type='text'>Enxerto de um abraço escrito</title><content type='html'>Às vezes tenho raiva de mim, (e é essa a única vez que me enervo a sério) porque não consigo demonstar-te, nem aos outros, os meus sentimentos...Ontem queria abraçar-te tanto!Queria chorar todo o meu carinho para cima de ti, molhar-te com as minhas lágrimas salgadas mas ao mesmo tempo doces, despojar-me de toda esta cápsula que me faz sentir a pessoa mais fria do mundo...mas eu tenho medo de me mostrar...queria que estivesses aqui comigo, para me embrulhares nos teus braços, e dizeres que apesar de tanta gente neste longo caminho, vamos ser e ter sempre nós as duas...vamos ter sempre as mesmas danças, sempre as infinitas conversas sobre assuntos sérios e assuntos sobre coisa nenhuma, vamos ter sempre as idas a casa uma da outra, vamos ter sempre aquelas aventuras....enfim, diz-me que vamos ter tudo isso para nós.&lt;br /&gt;Neste momento uma e dez da manhã, um copo de água à beira, silêncio absoluto na sala, o resto das pessoas a dormir. O candeeiro ao lado, com uma luz ténue, e uma pessoa comovida pelas tuas palavras, tentando-se exprimir e retirar a sua cápsula.  Sabes que te adoro, não sabes? Sabes que apesar de não te abraçar muito e de não te dar muitos beijos, o meu carinho fortificou-se mais e mais... todas as relações são assim. Sou estranha, sinto-me um bocado diferente de todos aqueles que não têm problemas em mostrar-se, mas o meu carinho fortificou-se. Só para te tirar as dúvidas, escrevo, e é certo que te adoro. Adoro a tua forma de dançar, a forma como falas, a forma como ris, a forma como coças o nariz, a forma como o teu cabelo arrebita nas pontas, e quão abundante é, a forma como separas os dedos dos pés, a forma como ouves e cantas música, a forma como bates com os dedos numa mesa, a forma como róis as unhas e canetas, a forma como olhas o mundo, a forma como olhas uma aventura, a forma como te sentas... adoro-te. Simplesmente.&lt;br /&gt;Sinto que cada palavra mesmo os artigos têm um bocadinho de mim, um bocadinho do meu enorme carinho, um bocadinho do meu mundo, onde estão algumas pessoas que nem sabem que estão lá. Mas tu sabes...abri-te o meu mundo por inteiro, fiz uma cópia das chaves da porta, e por isso podes entrar sempre que quiseres. Podes sentar-te, podes rir, chorar, cantar, dançar, e eu saberei que estás lá dentro, vou observar , e rir, chorar, cantar e dançar contigo. Sabes que enquanto estiveres no meu mundo eu irei estar atenta, para que nunca te sintas sozinha e esquecida, mesmo que assim o pareça. Eu estarei lá, a rir ou a chorar contigo, triste porque estás triste, alegre porque estás alegre, e nada altera isso...&lt;br /&gt;Ainda sinto a lágrima a querer sair, ainda sinto aquele abraço que demos e o beijo que depois me ficou marcado na bochecha. Apanhei o beijo com as duas mãos para não me escapar, meti-o no bolso para não o perder, agarrei o calor dos teus braços e meti-o no outro bolso. Está tudo bem guardado, eu vou coser os dois bolsos, aqueles bolsos são teus, não entra nem sai nada mais.&lt;br /&gt;Uma e trinta e sete da manhã, um copo de água ainda cheio, o candeeiro a querer apagar, um avô que aparece sonolento e me acena, uma pessoa que sorri do outro lado, e que volta a concentrar-se no seu abraço escrito. Uma pessoa que se sente muito mais leve, com todo o seu carinho liberto, a cópia da chave do seu mundo entregue e olhos vermelhos, mas felizes. Uma pessoa com a memória mais livre, que é capaz de retornar ao passado e fazer as mesmas coisas com a mesma pessoa milhões de vezes como se fosse a primeira vez. Uma pessoa que espera o dia de amanhã, o dia em que a pessoa que a comoveu vai conhecer o outro lado do seu mundo, um mundo onde o ar é mais puro. Uma pessoa que boceja, concentrada no monitor, concentrada no seu teclado, e que quer reler os seus pensamentos por escrito do seu eterno abraço escrito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16808029-112772551051786250?l=palavrasaoalto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/feeds/112772551051786250/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16808029&amp;postID=112772551051786250' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/112772551051786250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/112772551051786250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/2005/09/enxerto-de-um-abrao-escrito_26.html' title='Enxerto de um abraço escrito'/><author><name>Sofia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_n5YtZEwREmw/Ssfs4ZjKl2I/AAAAAAAAAVI/GJUPfxo59yY/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC08630.JPG'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16808029.post-112772505894248369</id><published>2005-09-26T09:56:00.000+01:00</published><updated>2005-09-26T09:57:38.946+01:00</updated><title type='text'>A nuvem multicolor</title><content type='html'>Ela olhava o céu com um olhar concentrado. Os seus olhos castanhos observavam cada pormenor daquela estranha nuvem multicolor.&lt;br /&gt;     Com o seu narizito coberto de sardas de todos os tamanhos cheirava o perfume do vento, da relva, do céu, do sol... e mesmo o perfume suave daquela nuvem. Sorriu. Caminhou, os seus pés descalços tocaram a relva fresca e pousaram mesmo em baixo da nuvem. Viu um cordel mesmo por cima da sua cabeça. Sentia-o tocar levemente nos seus cabelos. Então, agarrou-o e puxou, puxou, puxou. A nuvem aproximou-se dela, aquela belissima nuvem multicolor. Finalmente tinha-a! E não a iria perder nunca mais! Atou o cordel ao seu dedo e caminhou, num passo certo e seguro. A nuvem multicolor, cheia de alegria, amor e amizade era finalmente sua...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16808029-112772505894248369?l=palavrasaoalto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/feeds/112772505894248369/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16808029&amp;postID=112772505894248369' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/112772505894248369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/112772505894248369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/2005/09/nuvem-multicolor.html' title='A nuvem multicolor'/><author><name>Sofia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_n5YtZEwREmw/Ssfs4ZjKl2I/AAAAAAAAAVI/GJUPfxo59yY/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC08630.JPG'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16808029.post-112733066038458605</id><published>2005-09-21T20:23:00.000+01:00</published><updated>2005-09-21T20:24:20.390+01:00</updated><title type='text'>Escuro da loucura</title><content type='html'>Quando finalmente abri os olhos, encontrei a escuridão. Levantei-me de uma cama, sentei-me e o meu corpo acostumou-se ao negro.&lt;br /&gt;    De uma janela surgia uma luz ténue e difusa que dava ao quarto a luz necessária para distinguir as formas do quarto. Havia a cama, a janela, e uma mesa pequena com dois copos. Ao lado da mesa, uma porta de madeira, onde cheguei tropeçando em mim mesma. Coloquei a mão no puxador. Estava fechada. Olhei em volta. Não existia nada mais...&lt;br /&gt;    Aninhei-me sobre mim mesma, esfregando os olhos, desgrenhando o cabelo. Coloquei a cabeça entre os joelhos. "Estou sozinha, num quarto escuro", pensei.&lt;br /&gt;- Não estás sozinha...- disse uma voz- "...estamos todos aqui..."- disse uma voz de mulher-"...os teus demónios!" Riram em uníssono, espalhando o terror na minha pele. Nada se via, apenas se ouvia risos abafados. Mas a pouco e pouco, as formas no escuro tinham forma e volume. Quatro olhos, dois narizes, duas bocas distinguiam-se, e corpos escanzelados aproximavam-se de mim. Cada um segurava algo nas mãos. A mulher segurava uma faca,e o homem um machado. As vozes deles estavam em mim, bem dentro de mim, sibilando, mas gritando ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;Matar...nós...vamos ...te MATAR!&lt;br /&gt;    Corri para a porta, e gritei de terror. Matar...agarrei o puxador com mais força e voltei-o...nós...bati na porta...vamos...ouvi a minha voz quase muda...te...Eles querem-me...MATAR!&lt;br /&gt;    Eles puxavam-me agarrando as minhas pernas, lutei para me voltar e pontapeá-los, mas não consegui...a mão do homem agarrava-me..." Não consigo, vão-me matar..meu sangue..." As minhas unhas cravaram-se na madeira apodrecida da porta, mas escorreguei e senti lascas penetrarem a pele. Soltei-me da porta. Virei-me e encontrei os olhos deles, vermelhos raiados de sangue, talvez meu sangue, o riso sair e vaporizar o ar, queimá-lo e deixar-me privada dele, estava a sufocar...Os meus gritos e aqueles risos cobriam o quarto.&lt;br /&gt;    Do outro lado ouviram-se passos, passos apressados. Ouvi o meu nome, mas não respondi. Gritei apenas. Terror, medo, dos meus olhos brotavam lágrimas. Eu ia morrer. Os meus demónios, as vozes na minha cabeça, dentro dele, em cada neurónio, a morte. Lutei contra eles. Arranquei a faca daquela mulher...golpes profundos nos olhos, na boca, no nariz. O homem observava a cena a sorrir-me deleitando-se.&lt;br /&gt;    Abriu-se a porta. A luz entrou repentinamente no quarto. A mulher afastou-se segurando a cara com as mãos...o homem a sorrir.Uma mulher entrou no quarto agora iluminado. Os seus olhos expressavam terror. O quarto estava destruído, não restava nada inteiro.&lt;br /&gt;    Ela tentou aproximar-se de mim, mas fugi-lhe e sentei-me num canto do quarto&lt;br /&gt;-Eles estão ali, eles queriam matar-me...eles iam...meu sangue...- murmurei entre dentes. A voz calma da mulher ouviu-se:&lt;br /&gt;- Eu sei...está tudo bem, tudo bem..."&lt;br /&gt;A voz aquietou-me. Comprimi a cara nos joelhos e baloicei-me. Não estava muito certa.&lt;br /&gt;-...eles vão-me matar...&lt;br /&gt;Ela aproximou-se, tomou o meu braço, olhou as minhas mãos com unhas desfeitas, olhou a minha cara com sangue seco, olhou-me nos olhos.&lt;br /&gt;- Descansa...&lt;br /&gt;    Olhei a cama onde antes estavam os demónios. Estava vazia. Os olhos fecharam-se pesadamente. A mulher sorria-me muito longe. Não se via nada, não se ouvia nada. Pouco e pouco o silêncio voltou, e a escuridão reinou dentro de mim outra vez, calma e escura...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16808029-112733066038458605?l=palavrasaoalto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/feeds/112733066038458605/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16808029&amp;postID=112733066038458605' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/112733066038458605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/112733066038458605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/2005/09/escuro-da-loucura.html' title='Escuro da loucura'/><author><name>Sofia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_n5YtZEwREmw/Ssfs4ZjKl2I/AAAAAAAAAVI/GJUPfxo59yY/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC08630.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16808029.post-112724846801682252</id><published>2005-09-20T21:35:00.000+01:00</published><updated>2005-09-20T21:34:28.020+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Olhos distantes, corpo longínquo. Ali estava ela. Enterrada a meio da cintura, com olhos postos num céu clemente. Olhos negros, pretos de escuridão, pretos de nada. As mãos comidas pelos ventos, apontavam o céu, num acto impossível de agarrar.&lt;br /&gt;    Lá em cima o céu, azul, com o sol radiando energia para toda a terra, aquecendo e protegendo todos os rebentos que pudessem germinar. O sol aquecia todos, menos ela. Nela estava uma sombra, ausência de sol. À volta luz, nela sombra. à volta crescimento, ela a definhar. A cara era branca, transparecendo todas as veias e artérias, lábios cerrados prendendo o grito e a vontade de gritar. Ela branca e escura. Ela calma e feroz.&lt;br /&gt;    Os olhos percorriam o céu, pedindo para que ele a visse, também estava no mundo, metade no mundo, metade na no interior do mundo.&lt;br /&gt;    Era cada vez mais puxada para o fundo, cada vez mais um resto de alguém que uma vez fora iluminada. Mas o céu, o sol não estavam ali para ela. Teria de lutar. Teria de chegar por si própria ao céu, como se fosse um papel e dizer: "É meu!"&lt;br /&gt;    Teria de lutar...teria de puxar um bocado de sol para a iluminar, para crescer e sair do buraco do mundo.&lt;br /&gt;    Agora era só ela e o mundo. Era só ela e um voo para além do céu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16808029-112724846801682252?l=palavrasaoalto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/feeds/112724846801682252/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16808029&amp;postID=112724846801682252' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/112724846801682252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/112724846801682252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/2005/09/olhos-distantes-corpo-longnquo.html' title=''/><author><name>Sofia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_n5YtZEwREmw/Ssfs4ZjKl2I/AAAAAAAAAVI/GJUPfxo59yY/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC08630.JPG'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16808029.post-112724682726397987</id><published>2005-09-20T21:06:00.000+01:00</published><updated>2005-09-20T21:07:07.273+01:00</updated><title type='text'>Quadro</title><content type='html'>Não era assim que imaginava o meu quadro. Uma praia, com o mar calmo, mas com ondas que  chegam aos pés em forma de espuma. Também esperava o céu mais claro, sem muitas nuvens, para poder observar. Não era com este quadro que me queria partir em milhares de particulas cheias de espectros, cheios de sombras, falhas, cheiros, vozes, pessoas... cheias de todo esse nada que não me é nada e nem quero que me seja alguma coisa.&lt;br /&gt;    Sinto a espuma cada vez mais gelada, deito-me na areia, deixo a espuma lember o meu corpo. Deixo as particulas cheias lamber a mente. Não há nada que eu deseje nestas particulas cheias, absolutamente nada. Os espectros deixá-los-ei nas sombras, que se encontram nas falhas. Os cheiros e as vozes pertencem às pessoas...nada me são. Deixá-los-ei.&lt;br /&gt;    O frio percorre os restos de mim, mas nada disso importa realmente. Fundi-me na areia, não distingo o que é meu, do resto do quadro, apenas memórias, memórias frias esbatidas pelo sofrimento, só distingo a morte no meio deste quadro;O céu que se fecha sobre mim, as nuvens agora negras...a morte é o que me resta, entregar-me ao nada, atirar a vida para o fim, cuspir a alma pela boca, sair todo o peso deste corpo inútil, de pessoa inútil, num mundo inútil. Desisto de tudo, que a água me engula, que as lembranças se afoguem no turbilhão de mar, mar dos perdidos.&lt;br /&gt;    Descolo o corpo da areia. Recorto os braços e as pernas, recorto a cabeça, destaco-me ali. Levanto-me. A água escorre, escorre em gotas pelo meu corpo, serão estas as lágrimas que nunca irei chorar?Pequenas gotas caiem do céu, as ondas tocam o céu. Vou caminhar até até chegar à linha que separa os dois azuis. Quero caminhar, andar, encher o peito daquele cheiro a mar, inspirar, expirar a liberdade que não tenho, o amor que nunca tive. Não tenho nada, e por iso caminho. Não sou nada, e por isso sou aquela que caminha com a água na boca. Continuo a caminhar, não vou parar agora, tão perto estou, posso tocar a morte. Sinto a água entrar no nariz, na boca, na garganta, afogar os pulmões, encharcar o coração...estou mergulhada,existo, mas estou por um fio.Não me consigo mover, estou ali a ser puxada para o fundo. Parti-me em particulas, cheias de água, sou parte do mar, e não me vou recortar nem destacar nunca mais...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16808029-112724682726397987?l=palavrasaoalto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/feeds/112724682726397987/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16808029&amp;postID=112724682726397987' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/112724682726397987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/112724682726397987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/2005/09/quadro.html' title='Quadro'/><author><name>Sofia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_n5YtZEwREmw/Ssfs4ZjKl2I/AAAAAAAAAVI/GJUPfxo59yY/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC08630.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16808029.post-112724377704441988</id><published>2005-09-20T20:16:00.000+01:00</published><updated>2005-09-20T20:16:17.046+01:00</updated><title type='text'>Ouve-se...</title><content type='html'>Ouve-se um piano no fundo,&lt;br /&gt;a música devagar,&lt;br /&gt;corre no ar,&lt;br /&gt;à espera do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouve-se os dedos na chuva a deslizar,&lt;br /&gt;acariciar as gotas,&lt;br /&gt;por entre mãos rotas,&lt;br /&gt;que tentam agarrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouve-se um pincel,&lt;br /&gt;uma mão a pintar,&lt;br /&gt;as ondas do mar,&lt;br /&gt;presas num papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouve-se uma voz,&lt;br /&gt;um eco mudo,&lt;br /&gt;refugiado nem escudo,&lt;br /&gt;tão perto e tão sós...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16808029-112724377704441988?l=palavrasaoalto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/feeds/112724377704441988/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16808029&amp;postID=112724377704441988' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/112724377704441988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/112724377704441988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/2005/09/ouve-se.html' title='Ouve-se...'/><author><name>Sofia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_n5YtZEwREmw/Ssfs4ZjKl2I/AAAAAAAAAVI/GJUPfxo59yY/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC08630.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16808029.post-112724349313810418</id><published>2005-09-20T20:11:00.000+01:00</published><updated>2005-09-20T20:11:33.140+01:00</updated><title type='text'>Para a minha pele...</title><content type='html'>A pele,&lt;br /&gt;um bocado de mim.&lt;br /&gt;A vida,&lt;br /&gt;marcada em mim,&lt;br /&gt;em cada pedacinho de pele,&lt;br /&gt;uma traço, uma fenda,&lt;br /&gt;uma cicatriz, uma ruga.&lt;br /&gt;Cada história...&lt;br /&gt;Marcas leves,&lt;br /&gt;histórias passageiras,&lt;br /&gt;histórias engraçadas,&lt;br /&gt;paixonetas ligeiras,&lt;br /&gt;por alguém...&lt;br /&gt;Marcas profundas,&lt;br /&gt;um desgosto do tamanho do mundo,&lt;br /&gt;um grande alguém perdido,&lt;br /&gt;um grande amor amanhecido,&lt;br /&gt;no peito, num segundo...&lt;br /&gt;A pele,&lt;br /&gt;um bocado de mim,&lt;br /&gt;que sente,&lt;br /&gt;que chora,&lt;br /&gt;que vive por mim,&lt;br /&gt;que sente,&lt;br /&gt;que chora,&lt;br /&gt;pelas histórias de uma vida...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16808029-112724349313810418?l=palavrasaoalto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/feeds/112724349313810418/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16808029&amp;postID=112724349313810418' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/112724349313810418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/112724349313810418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/2005/09/para-minha-pele.html' title='Para a minha pele...'/><author><name>Sofia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_n5YtZEwREmw/Ssfs4ZjKl2I/AAAAAAAAAVI/GJUPfxo59yY/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC08630.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16808029.post-112689175918739681</id><published>2005-09-17T02:30:00.000+01:00</published><updated>2005-09-16T18:29:19.190+01:00</updated><title type='text'>Queria exprimir-me...</title><content type='html'>&lt;strong&gt;            &lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Queria exprimir-me. Queria exprimir o que sinto ao ouvir esta música. Queria exprimir o que sinto ao ver o mar. Queria exprimir o que sinto ao ver o céu e o sol. Queria exprimir-me em palavras. Palavras soltas, com ou sem sentido, poemas, textos, mas seriam minhas as palavras, minhas...&lt;br /&gt;            Por este desejo de me querer exprimir criei este blog para tentar expressar-me, e expressar tudo o que vejo, expressar sentimentos e tudo isto para partilhar tudo isso convosco. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16808029-112689175918739681?l=palavrasaoalto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/feeds/112689175918739681/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16808029&amp;postID=112689175918739681' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/112689175918739681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16808029/posts/default/112689175918739681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasaoalto.blogspot.com/2005/09/queria-exprimir-me.html' title='Queria exprimir-me...'/><author><name>Sofia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_n5YtZEwREmw/Ssfs4ZjKl2I/AAAAAAAAAVI/GJUPfxo59yY/S220/C%C3%B3pia+de+C%C3%B3pia+de+DSC08630.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry></feed>
